Nota de Repúdio do DTL - Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias e do PLE - Programa de Pós-Graduação em Letras

07/05/2015

Nota de Repúdio do DTL -  Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias e do PLE - Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Estadual de Maringá, ao governador Beto Richa, à vice-governadora Cida Borgheti, ao Secretário de Segurança Pública, ao Secretário Chefe da Casa Civil, ao Poder Judiciário do Estado do Paraná, à Assembleia Legislativa - em especial os deputados com base eleitoral na região de Maringá: Dr. Batista, Evandro Jr. e Maria Victória, pelo massacre do dia 29/4/2015.

 

O papel do intelectual não é mais o de se posicionar um pouco à frente e um pouco ao lado para dizer a verdade muda de todos; é antes o de lutar contra as formas de poder ali onde ele é, ao mesmo tempo, o objeto e o instrumento disso: na ordem do saber, da verdade, da consciência, do discurso. Luta contra o poder, luta para fazê-lo aparecer e abalá-lo ali onde ele é mais invisível e mais insidioso. Michel Foucault

 

Os docentes e técnicos afetos ao Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias e ao Programa de Pós-Graduação em Letras manifestam publicamente seu repúdio ao massacre cometido contra professores, servidores públicos e estudantes. Foram atos de desmedida violência contra os que se manifestavam em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, durante deliberação sobre projeto de lei que altera o Fundo Previdenciário. O massacre ocorreu no dia 29 de abril de 2015 e, de modo profundo, atingiu física, moral e emocionalmente aqueles que estavam ali presentes, manifestando-se pelo estado democrático de direito, pelo diálogo e pelo respeito ao exercício da cidadania, uma das principais metas da Educação, conforme artigo 205 da Constituição Federal, “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Além do que, na Constituição do Estado do Paraná, expressa de modo inequívoco em seu artigo 177, no qual ainda lemos ser essa Educação “direito de todos e dever do Estado e da família”. E a manifestação era um livre exercício de cidadania.

O Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias e o Programa de Pós-Graduação em Letras registram, também, sua indignação e total solidariedade aos colegas que estiveram no Centro Cívico enfrentando uma situação de truculência jamais registrada em nosso país depois da abertura política. Por essa razão, vêm exigir que sejam tomadas as providências para a responsabilização, por ação ou omissão, do governador e da vice-governadora, dos secretários e deputados que apoiaram esse ato de brutalidade contra o funcionalismo público, sobretudo os da Educação, do Paraná.

Considerando os fatos, o Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias e o Programa de Pós-Graduação em Letras instituem, permanentemente, o dia 29 de abril como o “dia do massacre de 29 de abril”, incentivando que os integrantes do Departamento, do Programa e a sociedade em geral promovam atividades de reflexão e memória sobre a violência dispensada aos servidores do estado do Paraná nesse dia, pois tais fatos, a despeito de sua já triste e vergonhosa lembrança, não devem ser esquecidos. Mas também para celebrar aqueles que lutaram e foram feridos, e que, feridos, não pararam de lutar.

Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis. Bertolt Brecht

 

Maringá, 06 de maio de 2015.

 

 Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias e Programa de Pós-Graduação em Letras